Assim que a Ubisoft anunciou Immortals Fenyx Rising, que antes era Gods & Monsters, todo mundo bateu o olho e pensou: caramba, esse jogo parece The Legend of Zelda: Breath of the Wild. Depois de jogá-lo, a impressão se torna certeza.

Isso, claro, tem seus pontos positivos e negativos. Especialmente se você também jogou a série Assassin’s Creed. Afinal, Immortals Fenyx Rising é justante uma misturada entre a aclamada franquia da própria Ubisoft e sua “musa inspiradora” da Nintendo.

Se fosse um jogo “original”, talvez sua recepção fosse melhor – acima dos 75 na média do Metacritic (PS5). Mas quem jogou BoT vê a inspiração e não se encanta tanto – mesmo com um gameplay bacana, belos gráficos no PlayStation 5 e uma história que é até bem interessante.

E como um review é, basicamente, a opinião de alguém sobre um jogo – e esse alguém jogou Zelda e é fã de AC – já dá para entender aonde vamos chegar por aqui, não é?

Deuses

Os Deuses e a ambientação da mitologia grega são os grandes destaques de Immortals Fenyx Rising. É como reviver tudo aquilo que já conhecemos de God of War, mas com uma motivação levemente diferente. Ao invés de matá-los, ajudá-los.

Immortals Fenyx Rising
Immortals Fenyx Rising traz os deuses de forma divertida (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

Fenyx é uma guerreira (mas você pode customizar totalmente sua aparência e transformar a personagem em homem) que deve ajudar Deuses do Olimpo a se livrarem de maldições instauradas por Tifão. Um gigante malvadão que quer acabar com o mundo.

Nessa jornada, ela tem a companhia de Hermes e precisa livrar Afrodite, Ares, Atena e Hefesto de castigos terríveis impostos pelo tal vilão. Uma história que, de cara, já parece bacana, mas simples, né?

Immortals Fenyx Rising
Immortals Fenyx Rising tem batalhas difíceis (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

Aí que está a chave da coisa. A forma como ela é contada. Zeus e Prometeu são os narradores, e o fazem de uma forma extremamente carismática e bem humorada. Aliás, essa é a principal tônica do jogo. Nada realista. Cartunesca. Divertida.

Já dava para perceber pelos gráficos, né? O mundo é super vivo e colorido, com as regiões dele sendo divididas de acordo com os seus deuses, e variando com as características de cada um. Afrodite está num belo bosque, Ares numa área destruída pela guerra. Atena se destaca pelos vários templos lembrando o Santuário dos Cavaleiros do Zodíaco. E por aí vai…

Jogador cria personagem como quiser em Immortals Fenyx Rising
Jogador cria personagem como quiser em Immortals Fenyx Rising (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

Aliás, fique de olho: tem um easter egg de God of War bem divertidinho quando você conversa com Ares pela primeira vez!

Aliando tudo isso a uma boa localização, belos gráficos no PlayStation 5 e uma jogabilidade simples (é o tradicional jogo de aventura em terceira pessoa com uma pitadinha de RPG), mas com desafios intensos (sejam de “quebrar a cabeça” ou boss fights), Immortals Fenyx Rising tinha tudo para ser um jogo mais legal.

Monstros

O problema é que ele “já existe”. Se tirarmos os diferenciais, da história e do bom humor, o resto é todo muito, muito parecido com Breath of the Wild. Livrar “deuses” de maldições para coletar suas habilidades e usá-las contra seu inimigo é exatamente a mesma coisa que Link se dispõe a fazer com as Divine Beasts.

Esse é Breath of the Wild... (Foto: Reprodução/Pip Turner/Medium)
Esse é Breath of the Wild… (Foto: Reprodução/Pip Turner/Medium)

Até a disposição do mapa é igual, com uma região para cada uma e, bem no centro, o castelo do vilão – em Immortals, Tifão, e em Zelda, Calamity Ganon. E isso é uma ducha de água fria. Inspiração? Ok. Mas cópia? Não… Não é legal. Compare as imagens, acima e abaixo, e entenda um pouquinho…

A barra de vigor, o uso de frutinhas para repor vida e o próprio vigor, o estilo de planar, a liberdade para explorar… É tudo algo que nós vimos ser inovador no game da Nintendo. E seria até bacana trazer isso num game multiplataforma de uma desenvolvedora como a Ubi, claro, mas de uma forma mais sutil.

Esse é Immortals Fenyx Rising...
Esse é Immortals Fenyx Rising… (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

Até as “shrines” de BotW são “copiadas” – as chamadas Câmaras, onde Fenyx vai para uma dimensão diferente e tem que resolver puzzles para conseguir itens. E não me leve a mal, o gameplay é bacana, apesar de se tornar extenuante em algumas missões e em certos desafios, mas só pra quem não teve a oportunidade de jogar Zelda.

E quando não é tão Zelda, ele tem um quê de Assassin’s Creed, com mecânicas de stealth e até golpes que dão mais dano no adversário se ele não estiver te olhando. No geral, é uma combinação até interessante, e o jogo todo no geral não é ruim. A decepção que fica é pelo fato de não ter pego as mecânicas de outro game e evoluído, e sim simplesmente feito igual.

Immortals Fenyx Rising: vale a pena?

Se você não jogou Breath of the Wild ou não é tão assíduo em games da Ubisoft, vale. É um jogo divertido, com bons gráficos, jogabilidade interessante, muitos desafios e um storytelling que é um jogo à parte – sem falar na ótima localização, como sempre na Ubisoft.

Agora, se jogou, provavelmente não vai se impressionar tanto. Claro, o enredo é diferente, e a maneira como a história é contada, além da série de referências à mitologia grega, valem por si só. Mas talvez seja uma compra recomendada só numa promoção, não por R$ 280.

Até porque ele é mais um jogo de mundo aberto da Ubi, com tudo de bom e ruim que isso pode significar, desde sua ambientação incrível até o grind bem exagerado, com diversas missões super repetitivas. Em suma, Immortals Fenyx Rising é exatamente o que se esperava.